domingo, 31 de outubro de 2010

A QUESTÃO ANUSSIM

Nelson Menda – Exclusivo – MIAMI - EUA

A QUESTÃO ANUSSIM

Por incrível que possa parecer, depois que me transferi para Miami fui conhecer certos meandros e particularidades de uma questão que envolve a própria história do Brasil e do judaísmo. Refiro-me à Teshuvá, termo hebraico para designar o retorno ao Judaísmo dos Anussim, ou seja, descendentes de judeus espanhóis e portugueses obrigados a se converter ao cristianismo há mais de quinhentos anos. Só na Espanha, de onde minha família paterna é originária, existiam trezentos mil judeus na época da reconquista do último enclave árabe-muçulmano em Granada, em 1492, pelos exércitos de Castela e Aragão e que coincidiu com o Édito de Expulsão dos israelitas. Desses trezentos mil, avalia-se que cem mil conseguiram sair do território espanhol praticamente com a roupa do corpo, dirigindo-se ao vizinho Portugal. Dos duzentos mil restantes, metade conseguiu sair da Península Ibérica, por terra ou mar, refugiando-se, basicamente, na França, Itália, Holanda e também nos territórios do Império Otomano.

Apesar de terem deixado para trás seus bens materiais, esses que partiram da Espanha e Portugal puderam preservar sua identidade judaica, ao contrário de muitos de seus irmãos que não quiseram ou conseguiram sair. Os cem mil que se refugiaram em terras lusas não poderiam prever que, apenas cinco anos depois, em 1497, passariam por uma situação ainda pior do que a vivenciada na Espanha.

BATISMO EM PÉ

D. Manuel, Rei de Portugal, enganou a todos, prometendo transporte marítimo para a Terra Santa, mas preparando, na surdina, uma verdadeira cilada. Convocou um exército de religiosos cristãos, abastecendo-os com uma enorme quantidade de água tido como benta, que foi aspergida sobre as multidões que se espremiam à beira dos cais de Lisboa e do Porto, e que “ficou a ver navios”, pois os barcos que os conduziriam à Israel nunca apareceram. Era o Domingo de Ramos de 1497 e aquela pobre gente, que chegou esperançosa ao cais, retornou para casa com água escorrendo pelos rostos. Já não eram judeus, mas “cristãos” e a água benta se confundia com suas próprias lágrimas. As Sinagogas de Portugal foram lacradas, muitos de seus Rabinos presos e mortos e o judaísmo só pode ser praticado, sob risco e em segredo, no interior dos seus lares.

BRASIL, A ESPERANÇA

Com a descoberta do Brasil, em 1500 e a possibilidade de se transferirem para um território que oferecia, além de imensas perspectivas econômicas, um distanciamento do clima de denuncismo da metrópole, milhares de judeus se dirigiram para nosso país, especialmente para o Nordeste. Teoricamente, depois de 1497, não deveriam mais existir judeus em Portugal e suas colônias, só cristãos, novos ou velhos.


INVASÕES HOLANDESAS

Todavia, em 1624, ou seja, cento e vinte e sete anos após o malfadado “Batismo em Pé” de 1497, os holandeses conquistaram Salvador, Bahia. A permanência holandesa na Bahia, ao contrário do que viria a acontecer em Pernambuco tempos depois, foi curta, tendo durado apenas um ano. Nessa invasão holandesa de Salvador aconteceu um fato surpreendente: nada menos de metade da população da cidade retornou à fé judaica, aproveitando o fato dos holandeses, huguenotes, ao contrário dos portugueses, permitirem liberdade religiosa para fiéis de outras crenças. Essa alegria durou pouco, pois com a retomada da cidade pelos portugueses, no ano seguinte, os judeus foram duramente reprimidos, tendo de fugir para regiões remotas, pois quanto mais distantes da capital, menos inseguras seriam para os praticantes da fé mosaica. Em 1630, quando os holandeses tomaram Recife e Olinda e lá conseguiram permanecer por vinte e quatros anos, ressabiados com o que havia ocorrido na Bahia, apenas 25% dos judeus se assumiram publicamente como tais. Esses números, além de revelar a enorme quantidade de cripto-judeus existentes no Brasil Colônia, atestam o que os historiadores já comprovaram. Que o Brasil é o país com o maior quantitativo de descendentes de Anussim do mundo e que as perseguições a que estiveram sujeitos fez com que essa condição se transformasse em um verdadeiro dogma, segredo que deveria permanecer restrito ao ambiente familiar. Nada melhor para preservá-lo, portanto, do que promover casamentos entre primos, onde seria mais fácil manter hábitos e tradições judaicos sem o risco de denúncias aos esbirros da inquisição.

Pesquisas da Professora Anita Novinsky, da USP, avaliam que um em cada quatro habitantes caucasianos do Brasil tenha sangue judeu correndo em suas veias, ou seja, um número impressionante que oscila entre vinte e vinte e cinco milhões de pessoas. Muitos nem sabem disso, mas um grupo de Anussim mais antenados, analisando certos hábitos familiares, começou a se dar conta de que descenderia de judeus e aí caímos no título desse artigo, ou seja, “A Questão Anussim”.

E AGORA, JOSÉ?

As coletividades judaicas estabelecidas podem adotar uma série de medidas para enfrentar essa situação. Podem, simplesmente, ignorá-la e deixar o barco correr solto. Também podem fechar ou abrir as portas de suas instituições para essa nova leva de judeus, que fazem questão de ser considerados sefaradis e ortodoxos. Agora é que Miami vai entrar na história. Um Anussim brasileiro, de sobrenome Rocha – ou Bentsur – que residiu por alguns anos no sul da Bahia, descobriu, meio que por acaso, a existência de pequenos núcleos cripto-judaicos nas cidades de Ilhéus, Teixeira de Freitas e Eunápolis. Ficou amigo de seus líderes e, ao se transferir para a Flórida, foi se aconselhar sobre o assunto com um Rabino que, além de sefaradi e ortodoxo, já tinha tomado conhecimento dessa questão quando trabalhou na Colômbia, onde o fenômeno Anussim também é intenso. Nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil e demais países da América Latina, podem ser realizados tanto Conversões quanto Retornos ortodoxos, plenamente reconhecidos pelo Rabinato de Israel. Augusto Rocha pediu ao Rabino Abraham Abarbanel Deleon Cohen que o acompanhasse até o Brasil e, em agosto de 2009, em um parque florestal de Porto Seguro, foram realizados, pela primeira vez em quinhentos anos, as cerimômias de Retorno de um punhado de Anussim. Serviram como mikvê as águas cristalinas de um rio que serpenteia sob frondosas árvores de uma reserva natural. Hoje, essas três comunidades estão em fase de finalização de suas respectivas sinagogas, seguem os preceitos alimentares da kashrut e muitos de seus jovens almejam fazer Aliá para poder se alistar nas forças armadas de Israel. Confira no clipping do YouTube produzido e postado pela Kehilá de Teixeira de Freitas, Bahia.

ASSISTA AO EMOCIONANTE VÍDEO : http://www.youtube.com/watch?v=YIKMGT40tNA

CONFARAD

O assunto é polêmico e promete muito pano para manga, a ponto de ter sido incluído na pauta do Sétimo Confarad, Congresso Sefaradi, a ser realizado de 30 de outubro a 2 de novembro no Hotel Pestana, Av. Atlântica, 2964, Copacabana, Rio. A mesa sobre a “Questão Anussim”, por mim presidida, vai contar com a presença do Rabino Abarbanel Deleon e da Professora Alícia Salamo, maior autoridade mundial sobre os chuetas de Mayorca. Vai ser às 11,00 h da manhã do dia primeiro de novembro, segunda-feira. A boa notícia é que o ingresso é grátis e além dessa mesa sobre os Anussim o Confarad terá várias outras, com temas interessantíssimos, como a presença judaico-marroquina no Brasil, que está completando 200 anos em 2010, conferências por renomados Rabinos e Professores universitários, como a “Conversão e Suas Controvérsias” e apresentações de palestras e músicas sefaradis em ladino. A sessão de abertura será no sábado, 30/10, às 19.30. O programa completo do Confarad pode ser obtido no site www.velgereventos.com.br e as inscrições, também grátis, podem ser realizadas pelos telefones (21) 2247-0867 begin_of_the_skype_highlighting (21) 2247-0867 end_of_the_skype_highlighting e 2247-0735.

Para quem ainda duvida que o Brasil – e também Nova Iorque – tenham albergado importantes levas de judeus portugueses, vale a pena conferir na excelente reportagem produzida e veiculada pela TV Globo há alguns anos.

ASSISTA AO VÍDEO : http://www.youtube.com/watch?v=Zl7kHGmhmVU


Você vai ficar sabendo, entre outras coisas, que o brasileiríssimo baião, imortalizado pelo sanfoneiro Luiz Gonzaga, é um ritmo com profundas raízes na música judaica.

nmenda@hotmail.com

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Parashá

Parashá, Parshah ou Parashah (no hebraico פרשה porção no pl. parashot) é o nome dado à porção semanal de textos da Torá dentro do judaísmo. Também são conhecidas como Parashat haShavuá (Porção semanal) ou Sidra, e cada uma possui um nome geralmente derivada de suas primeiras palavras no hebraico. No judaísmo ao mencionar um texto da Torá menciona este nome particular, e não capítulos ou versículos como o fazem outras religiões.

Tabela de Parashot

A Torá é dividida em 54 parashot que servem para uma leitura completa da Torá em um ciclo de um ano, iniciando e terminando dentro do judaísmo rabinico na festa de Simchat Torá.

Livro Parashá Porção
Bereshit Bereshit, בראשית Gen. 1:1-6:8

Noach, נח 6:9-11:32

Lech-Lecha, לך לך 12:1-17:27

Vayeira, וירא 18:1-22:24

Chayei Sarah, חיי שרה 23:1-25:18

Toledot, תולדות 25:19-28:9

Vayetze, ויצא 28:10-32:3

Vayishlach, וישלח 32:4-36:43

Vayeshev, וישב 37:1-40:23

Miketz, מקץ 41:1-44:17

Vayigash, ויגש 44:18-47:27

Vayechi, ויחי 47:28-50:26
Shemot Shemot, שמות Ex. 1:1-6:1

Va'eira, וארא 6:2-9:35

Bo, בא 10:1-13:16

Beshalach, בשלח 13:17-17:16

Yitro, יתרו 18:1-20:23

Mishpatim, משפטים 21:1-24:18

Terumah, תרומה 25:1-27:19

Tetzaveh, תצווה 27:20-30:10

Ki Tisa, כי תשא 30:11-34:35

Vayakhel, ויקהל 35:1-38:20

Pekudei, פקודי 38:21-40:38
Vaicrá Vayikra, ויקרא Lev. 1:1-5:26

Tzav, צו 6:1-8:36

Shemini, שמיני 9:1-11:47

Tazria, תזריע 12:1-13:59

Metzora, מצורע 14:1-15:33

Acharei, אחרי מות 16:1-18:30

Kedoshim, קדושים 19:1-20:27

Emor, אמור 21:1-24:23

Behar, בהר 25:1-26:2

Bechukotai, בחוקותי 26:3-27:34
Bamidbar Bamidbar, במדבר Num. 1:1-4:20

Naso, נשא 4:21-7:89

Behaalotecha, בהעלותך 8:1-12:16

Shlach, שלח לך 13:1-15:41

Korach, קרח 16:1-18:32

Chukat, חקת 19:1-22:1

Balak, בלק 22:2-25:9

Pinchas, פנחס 25:10-30:1

Matot, מטות 30:2-32:42

Masei, מסעי 33:1-36:13
Devarim Devarim, דברים Deut. 1:1-3:22

Va'etchanan, ואתחנן 3:23-7:11

Eikev, עקב 7:12-11:25

Re'eh, ראה 11:26-16:17

Shoftim, שופטים 16:18-21:9

Ki Teitzei, כי תצא 21:10-25:19

Ki Tavo, כי תבוא 26:1-29:8

Nitzavim, ניצבים 29:9-30:20

Vayelech, וילך 31:1-31:30

Haazinu, האזינו 32:1-32:52

V'Zot HaBerachah, וזאת הברכה 33:1-34:12

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Conheça as classificações dos sobrenomes sefaradis

Toponímicos: são os nomes derivados de pontos geográficos como França. Ex.: Fonseca, Pugliese, Tedesco, Toledo

Patronímicos: sobrenomes derivados de nomes próprios masculinos. Ex.: Abravanel (Abraham), Antunes (Antônio), Esteves, Duarte (Eduardo), Fernandes, Rodrigues, Perez (Pedro)

Ocupacional: nomes formados a partir de profissões. Ex.: Benathar (comerciante de especiarias), Calderon (fabricante de panelas), Ferreira (ferreiro), Matarazzo (fabricante de colchões)

Característica pessoal: sobrenomes que descrevem características físicas, de caráter, habitacionais, de origem ou sociais. Ex.: Crespin (de cabelo crespo), Gentile (gentil), Habib (querido), Mansur (vitorioso), Medina (da cidadela)

Artificiais: nomes criados sem origem específica. Normalmente, no caso dos sefaradis, são referentes a animais ou árvores. Ex.: Coelho, Cardoso (erva com espinhos), Colombo (pomba), Lobato (lobinho), Oliveira, Pinheiro. Há nesta categoria também nomes de inspiração católica, como Cruz, Santos, Ramos

Referências bíblicas: sobrenomes derivados do Velho Testamento. Ex.: Cohen, Israel, Levy, Salem (rei Salomão)

Compostos: nomes duplos, formados pelo paterno e pelo materno. Ex.: Ben Arroio, Bueno de Mesquita, Nunez Lopez,Teixeira de Mattos

Nomes de origem sacerdotal: tradicionalmente adotados pelos descendentesmasculinos dos sacerdotes do Templo de Jerusalém. Ou formam compostos com os sobrenomes Cohen e Levy ou são traduções destes, como Sacerdote (Itália), Kaplan (Polônia) e Papp (Hungria).

Fonte: Dicionário Sefaradi de Sobrenomes

terça-feira, 11 de maio de 2010

Genealogia Judaica Portuguesa

Nas últimas semanas, recebi no Correio da Judiaria várias mensagens de leitores que indagavam sobre as suas eventuais raízes judaicas. Por vezes os nomes de família e as terras de origem dizem tudo, e basta uma consulta rápida em dois ou três livros de história ou genealogia sefardita para confirmar uma conversão forçada ao catolicismo ou um julgamento perante os tribunais da Inquisição. Outras vezes é preciso trabalhar mais para conseguir desenterrar o que em muitas famílias portuguesas é o mais bem guardado dos segredos. Há uma extensa bibliografia que pode ajudar a traçar esta geografia da identidade pessoal de muitos descendentes de judeus portugueses. Aqui ficam alguns dos livros que considero fundamentais:

“A History of the Marranos”, Cecil Roth
“Sangre Judia”, Pere Bonnin
“Secrecy and Deceit: The Religion of the Crypto-Jews”, David Gitlitz
“Os Marranos em Portugal”, Arnold Diesendruck
“A Origem Judaica dos Brasileiros”, José Geraldo Rodrigues de Alckmin Filho
“Dicionário Sefaradi de Sobrenomes”, Guilherme Faiguenboim, Anna Rosa Campagnano e Paulo Valadares (ver Folha Online - Dicionário viaja ao passado dos sefaradis - 06/01/2004)

A título de referência breve, aqui seguem alguns nomes de família de “cripto-judeus”, prevalentes, mas não de forma exclusiva, nas regiões da Beira-Baixa, Trás-os-Montes e Alentejo*:

Amorim; Azevedo; Alvares; Avelar; Almeida; Barros; Basto; Belmonte; Bravo; Cáceres; Caetano; Campos; Carneiro; Carvalho; Crespo; Cruz; Dias; Duarte; Elias; Estrela; Ferreira; Franco; Gaiola; Gonçalves; Guerreiro; Henriques;Josué; Leão; Lemos; Lobo; Lombroso; Lopes; Lousada; Macias; Machado; Martins; Mascarenhas; Mattos; Meira; Mello e Canto; Mendes da Costa; Miranda; Montesino; Morão; Moreno; Morões; Mota; Moucada; Negro; Nunes; Oliveira; Ozório; Paiva; Pardo; Pilão; Pina; Pinto; Pessoa; Preto; Pizzarro; Ribeiro; Robles; Rodrigues; Rosa; Salvador; Souza; Torres; Vaz; Viana e Vargas.

Nomes de famílias judaicas portuguesas na Diáspora (Holanda, Reino Unido e Américas)**

Abrantes; Aguilar; Andrade; Brandão; Brito; Bueno; Cardoso; Carvalho; Castro; Costa; Coutinho; Dourado; Fonseca; Furtado; Gomes; Gouveia; Granjo; Henriques; Lara; Marques; Melo e Prado; Mesquita; Mendes; Neto; Nunes; Pereira; Pinheiro; Rodrigues; Rosa; Sarmento; Silva; Soares; Teixeira e Teles (entre muitos outros).

Sobrenomes judaicos de origem portuguesa na América Latina***:

Almeida; Avelar; Bravo; Carvajal; Crespo; Duarte; Ferreira; Franco; Gato; Gonçalves; Guerreiro; Léon; Leão; Lopes; Leiria; Lobo; Lousada; Machorro; Martins; Montesino; Moreno; Mota; Macias; Miranda; Oliveira; Osório; Pardo; Pina; Pinto; Pimentel; Pizzarro; Querido; Rei; Ribeiro; Robles; Salvador; Solva; Torres e Viana

*in “Os Marranos em Portugal”, Arnold Diensendruck
** in “Raízes Judaicas no Brasil”, Flávio Mendes de Carvalho
*** in “Os Nomes de Família dos Judeus Creolos”, estudo de Arturo Rab, publicado na revista “Juedische Familien Forschung”, Berlim, 1933

::ADENDA:: Nomes de família citados com maior frequência nos documentos da Inquisição, relativos a “relapsos” condenados pelo “crime de judaísmo”:

Rodrigues_________453 pessoas
Nunes____________229 pessoas
Mendes___________224 pessoas
Lopes____________282 pessoas
Miranda__________190 pessoas
Gomes___________184 pessoas
Henriques_________174 pessoas
Costa____________138 pessoas
Fernandes_________132 pessoas
Pereira___________124 pessoas
Dias_____________124 pessoas

Segue uma listagem (reduzida) de nomes de familias judias e cripto-judias retirada do Dicionário Sefaradi de Sobrenomes:

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Avila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo

B

Bacelar Balao Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirao Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Braganca Brandao Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhao

C

Cabaco Cabral Cabreira Caceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrao Callado Camacho Camara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Carceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Casseres Castenheda Castanho Castelo Castelo branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Cespedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaco Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilha Crasto Cruz Cunha

D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faisca Falcao Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijao Feijo Fernandes Ferrao Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaca Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Frances Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado

G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvao Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilao Gil Godinho Godins Goes Gomes Goncalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmao Guterres

H/I

Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordao Jorge Jubim Juliao

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leao Ledesma Leitao Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucao Loureiro Lourenco Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhaes Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marcal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melao Mello Mendanha Mendes Mendonca Menezes Mesquita Mezas Milao Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morao Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixao Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proenca

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarem Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrao Serveira Silva Silveira Simao Simoes Soares Siqueira Sodenha Sodre Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza

T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Tridade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valenca Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalao Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Renascimento de Um Povo

RENASCIMENTO DE UM POVO

Eis que dos escombros ocultos
da inquisição espanhola e portuguesa,
qual fênix das cinzas,
um povo não mais considerado povo,
desacreditado, rejeitado, de identidade quebrada,
roubada e massacrada, renasce!

Quando ninguém os procurou ou sentiu sua dor
o Eterno soou o seu shofar,
despertando cada alma judaica adormecida,
trazendo à luz dos seus olhos naturais e espirituais,
as promessas eternas e o chamado irrevogável.

Quando não mais havia esperança,
os guardados da casa de Jacó
foram resgatados e levantados pelas mãos
Daquele que possui o registro dos povos.

O Eterno iniciou a numeração das Doze Tribos de Israel!

Um povo simples, humilde e zeloso das coisas sagradas,
que teve sua voz silenciada,
abafada em inúmeras fogueiras,
guilhotinas e forcas,
prisões e torturas inimagináveis,
está se reerguendo das cinzas
para reescrever a sua história...

"Mas Tu és o nosso Pai, ainda que Abraão nos não conhece, e Israel não nos reconhece. Tu, ó Eterno, és nosso Pai; nosso redentor desde a antiguidade é o Teu nome" (Isaías 63.16).

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Por que os judeus não acreditam em Jesus?

Por que os judeus não acreditam em Jesus?

Por Rabino Shraga Simmons*


Por séculos os judeus foram perseguidos por sua fé e prática religiosa. Muitos tentaram impor suas idéias e aniquilar o judaísmo. Nem as cruzadas, nem a inquisição implacável, nem os pogroms conseguiram manipular nossas almas cumprindo seu intento.

O judaísmo mantém sua chama sempre viva.

A história comprova: os judeus continuam rejeitando o Cristianismo. Por quê?

Porque somos simplesmente judeus, nascemos e vivemos o judaísmo e temos nossas próprias convicções.

Mas quando judeus são seguidamente questionados sobre esta questão e não-judeus frequentemente perguntam: “Por que os judeus não acreditam em Jesus?” Preparamos alguns argumentos com o objetivo, não de depreciar outras religiões, pois respeitamos a todos e por esta razão não fazemos proselitismo, mas sim apenas para esclarecer a posição judaica.


1. Jesus não preencheu as profecias messiânicas

O que o Messias deveria atingir? A Torá diz que ele:

a - Construirá o terceiro Templo Sagrado (Yechezkel 37:26-2)

b - Levará todos os judeus de volta à Terra de Israel (Yeshayáhu 43:5-6).

c - Introduzirá uma era de paz mundial, e terminará com o ódio, opressão, sofrimento e doenças. Como está escrito: “Nação não erguerá a espada contra nação, nem o homem aprenderá a guerra.” (Yeshayáhu 2:4).

d - Divulgará o conhecimento universal sobre o D’us de Israel - unificando toda a raça humana como uma só. Como está escrito: “D’us reinará sobre todo o mundo - naquele dia, D’us será Um e seu nome será Um” (Zecharyá 14:9).

O fato histórico é que Jesus não preencheu nenhuma destas profecias messiânicas.


2. O cristianismo contradiz a teologia judaíca

a - D’us em três?

A idéia cristã da trindade quebra D’us em três seres separados: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mateus 28:19).

Compare isto com o Shemá, a base da crença judaica: “Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D’us, o Senhor é UM” (Devarim 6:4). Os judeus declaram a unicidade de D’us todos os dias, escrevendo-a sobre os batentes das portas (Mezuzá), e atando-a à mão e cabeça (Tefilin). Esta declaração da unicidade de D’us são as primeiras palavras que uma criança judia aprende a falar, e as últimas palavras pronunciadas antes de morrer.

Na Lei Judaica, adorar um deus em três partes é considerado idolatria - um dos três pecados cardeais, que o judeu prefere desistir da vida a transgredir. Isto explica porque durante as Inquisições e através da História, os judeus desistiram da vida para não se converterem.


b - Um homem como deus?

Os cristãos acreditam que D’us veio à terra em forma humana, como disse Jesus: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30).

Maimônides devota a maior parte do “Guia para os perplexos” a idéia fundamental que D’us é incorpóreo, significando que Ele não assume forma física. D’us é eterno, acima do tempo. É infinito, além do espaço. Não pode nascer, e não pode morrer. Dizer que D’us assume forma humana torna D’us pequeno, diminuindo tanto Sua Unidade como Sua Divindade. Como diz a Torá: “D’us não é um mortal” (Bamidbar 23:19).

O Judaísmo diz que Messias nascerá de pais humanos, com atributos físicos normais, como qualquer outra pessoa. Não será um semi-deus, e não possuirá qualidades sobrenaturais. De fato, em cada geração vive um indivíduo com a capacidade de tornar-se o Messias. (veja Maimônides - Leis dos Reis 11:3).


c - Um intermediário para a oração?

É uma idéia básica na crença cristã que a prece deve ser dirigida através de um intermediário - i.e., confessando-se os pecados a um padre. O próprio Jesus é um intermediário, pois disse: “Nenhum homem chega ao Pai a não ser através de mim.”

No Judaísmo, a prece é assunto totalmente particular, entre cada pessoa e D’us. A Torá diz: “D’us está perto de todos que clamam por Ele” (Tehilim 145:18). Além disso, os Dez Mandamentos declaram: “Não terá outros deuses DIANTE DE MIM,” significando que é proibido colocar um mediador entre D’us e o homem. (veja Maimônides - Leis da Idolatria cap. 1).


d - Envolvimento no mundo físico

O Cristianismo freqüentemente trata o mundo físico como um mal a ser evitado. Maria, a mais sagrada mulher cristã, é retratada como uma virgem. Padres e freiras são celibatários. E os mosteiros estão em locais remotos e segregados.

Em contraste, o Judaísmo acredita que D’us criou o mundo físico não para nos frustrar, mas para nosso prazer. A espiritualidade judaica vem através do envolvimento no mundo físico de maneira tal que ascenda e eleve. O sexo no contexto apropriado é um dos atos mais sagrados que podemos realizar.

O Talmud diz que se uma pessoa tem a oportunidade de saborear uma nova fruta e recusa-se a fazê-lo, terá de prestar contas por isso no Mundo Vindouro. As escolas rabínicas ensinam como viver entre o alvoroço da atividade comercial. Os judeus não se afastam da vida, elevam-na.


3. Jesus não personifica as qualificações pessoais do Messias.


a - Messias como profeta

Jesus não foi um profeta. A profecia apenas pode existir em Israel quando a terra for habitada por uma maioridade de judeus. Durante o tempo de Ezra (cerca de 300 AEC), a maioria dos judeus recusou-se a mudar da Babilônia para Israel, e assim a profecia terminou com a morte dos três últimos profetas - Chagai, Zecharyá e Malachi.

Jesus apareceu em cena aproximadamente 350 anos após a profecia ter terminado.


b - Descendente de David

O Messias deve ser descendente do Rei David pelo lado paterno (veja Bereshit 49:10 e Yeshayáhu 11:1). Segundo a reivindicação cristã que Jesus era filho de uma virgem, não tinha pai - e dessa maneira não poderia ter cumprido o requerimento messiânico de ser descendente do Rei David pelo lado paterno!


c - Observância da Torá

O Messias levará o povo judeu à completa observância da Torá. A Torá declara que todas as mitsvot permanecem para sempre, e quem quer que altere a Torá é imediatamente identificado como um falso profeta. (Devarim 13:1-4).

No decorrer de todo o Novo Testamento, Jesus contradiz a Torá e declara que seus mandamentos não se aplicam mais. (veja João 1:45 e 9:16, Atos 3:22 e 7:37).


4. Versículos bíblicos “referindo-se” a Jesus são tradições incorretas

Os versículos bíblicos apenas podem ser entendidos estudando-se o texto original em hebraico - que revela muitas discrepâncias na tradução cristã.


a - Nascimento virgem

A idéia cristã de um nascimento virgem é extraído de um versículo em Yeshayáhu descrevendo uma “alma” que dá à luz. A palavra “alma” sempre significou uma mulher jovem, mas os teólogos cristãos séculos mais tarde traduziram-na como “virgem”. Isto relaciona o nascimento de Jesus com a idéia pagã do primeiro século, de mortais sendo impregnados por deuses.


b - Crucifixão

O versículo em Tehilim 22:17 afirma: “Como um leão, eles estão em minhas mãos e pés.” A palavra hebraica ka’ari (como um leão) é gramaticalmente semelhante à palavra “ferir muito”. Dessa maneira o Cristianismo lê o versículo como uma referência à crucifixão: “Eles furaram minhas mãos e pés.”


c - Servo sofredor

Os cristãos afirmam que Yeshayáhu (Isaías) 53 refere-se a Jesus. Na verdade, Yeshayáhu 53 segue diretamente o tema do capítulo 52, descrevendo o exílio e a redenção do povo judeu. As profecias são escritas na forma singular porque os judeus (Israel) são considerados como sendo uma unidade. A Torá está repleta de exemplos de referências à nação judaica com um pronome singular.

Ironicamente, as profecias de perseguição de Yeshayáhu referem-se em parte ao século 11, quando os judeus foram torturados e mortos pelas Cruzadas, que agiram em nome de Jesus.

De onde provêm estas traduções erradas? S. Gregório, Bispo de Nanianzus no século IV, escreveu: “Um certo jargão é necessário para se impor ao povo. Quantos menos compreenderem, mais admirarão.”


5. A crença judaica é baseada na revelação nacional

Das 15.000 religiões na História Humana, apenas o Judaísmo baseia sua crença na revelação nacional - i.e., D’us falando a toda a nação. Se D’us está para iniciar uma religião, faz sentido que Ele falará a todos, não apenas a uma pessoa.

O Judaísmo, é a única entre todas as grandes religiões do mundo que não confia em “reivindicações de milagres” como base para estabelecer uma religião. De fato, a Torá afirma que D’us às vezes concede o poder de “milagres” a charlatães, para testar a lealdade judaica à Torá (Devarim 13:4).

Maimônides declara (Fundações da Torá, cap. 8):

“Os Judeus não creram em Moshê (Moisés), nosso mestre, por causa dos milagres que realizou. Sempre que a crença de alguém baseia-se na contemplação de milagres, tem dúvidas remanescentes, porque é possível que os milagres tenham sido realizados através de mágica ou feitiçaria. Todos os milagres realizados por Moshê no deserto aconteceram porque eram necessários, e não como prova de sua profecia.

“Qual era então a base da crença judaica? A revelação no Monte Sinai, que vimos com nossos próprios olhos e ouvimos com nossos ouvidos, não dependendo do testemunho de outros… como está escrito: ‘Face a face, D’us falou com vocês…’ A Torá também declara: ‘D’us não fez esta aliança com nossos pais, mas conosco - que hoje estamos todos aqui, vivos.’ (Devarim 5:3).”

O Judaísmo não são os milagres. É o testemunho da experiência pessoal de todo homem, mulher e criança.


*Rabino Shraga Simmons passou sua infância em Buffalo, Nova York. Trabalhou nos campos do jornalismo e relações públicas, e recebeu sua ordenação rabínica do Rabino Chefe de Jerusalém. Ele é o editor do site Aish.com, e vive com sua esposa e filhos na região de Modi’in, em Israel . É especialista em judaísmo ortodoxo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Como surgiu Jesus

Como surgiu Jesus
Nosso mundo é um lugar instável. Nações sobem, e governos tombam. Pessoas desequilibradas ao redor do mundo torturam e matam uns aos outros por causa da religião ou outras causas infundadas. Terremotos, vulcões e guerras periodicamente açoitam nosso globo. Continentes deslocam-se e colidem entre si e oceanos se formam e desaparecem. Até mesmo o próprio planeta Terra tem balanços. Conforme gira em seu eixo, a Terra não é estável. Como a cavilha de centro de um topo de brinquedo, o eixo da terra gira cambaleando lentamente em um círculo e traçando a superfície de um cone duplo no espaço

Este movimento do eixo da Terra é chamado precessão, e ele é, acredito, um dos principais componentes das causas que há muito tempo conduziram à criação do Cristianismo. O personagem agora conhecido como Cristo, ou Jesus, não nasceu de uma virgem; ao invés disso, foi produto de uma Terra giratória e instável. Se o eixo da Terra não fizesse precessão, o personagem Cristo nunca teria sido inventado. O Cristianismo como conhecemos não existiria.

Em meu próximo livro, Inventando Jesus, espero demonstrar exaustivamente a cadeia extraordinária de causas e efeitos que conduziram de uma terra cambaleante para uma biografia divina - a assim chamada "Vida de Cristo." Neste artigo resumido, claro, posso fazer pouco além de explicar os pontos principais desta tese e dar um exemplo da evidência que encontrei para apoiar isto.

I. "Jesus Cristo" Nunca Existiu Como Uma Figura Histórica.

É um fato curioso que os componentes mais antigos do denominado Novo Testamento, as cartas tidas como sido escritas por Saulo / Paulo, não sabem quase nada de qualquer biografia de Jesus. Nem Belém nem Nazaré são mencionadas nestes alvarás da religião Cristã. Só no bem mais recente Livro de Atos é dito que Saulo (ou Paulo) teve uma entrevista com "Jesus de Nazaré." [1]Quanto mais recente o documento, mais detalhada é a história apresentada de Jesus.

Não há nenhuma evidência convincente para fazer alguém supor que qualquer um dos evangelhos "sobreviventes" foi escrito por testemunhas oculares. De fato, o estudo dos evangelhos mostra conclusivamente que eles não foram. Por exemplo, os autores dos evangelhos de Mateus e Lucas incorporam quase o texto grego inteiro do evangelho de Marcos, adicionando declarações tomadas de outro documento (o denominado "Documento Q.") e geralmente faz os milagres recontados por Marcos ainda mais milagrosos. Se Mateus e Lucas fossem testemunhas oculares teriam escrito por suas próprias contas, sem recorrer ao plágio.

O evangelho de Marcos, o mais velho do conjunto oficial de quatro, contém erros de geografia[2] que não teriam sido cometidos por uma testemunha ocular. O evangelho de João, o mais recente do conjunto é muito recente e muito etéreo para ser levado em conta como biografia - testemunha ocular ou não. Não há nada sobre os evangelhos para fazer alguém os levar a sério do ponto de vista biográfico: não há nenhuma boa razão para imagina-los diferente dos antigos exemplos da arte da ficção. e costume[3]

Se a historicidade de Jesus não pode ser apoiada pelos escritos do Novo Testamento, o que pode dizer das fontes extra-bíblicas? Algum grego ou romano ou historiador judeu observarou sua carreira e escreveu algo sobre ele? Nenhum.

Embora Josefo[4], Tácito[5], Suetonio[6], e outros autores antigos sejam citados freqüentemente como evidência para um Jesus histórico, é óbvio que suas histórias (mesmo que pudessem ser provados como autênticas) são derivadas, não originais. Josefo, o mais velho destes historiadores, nasceu pelo menos cinco anos depois da data da alegada crucificação! Não há nenhuma testemunha ocular. Além disso, os antigos relatos não-cristãos sobre Jesus foram todos escritos quando o Cristianismo já era um delírio prosperando, e nossos autores pagãos só podem ser tomados como sendo testemunhas do estado para o qual as tradições Cristãs tinham evoluído em sua época, não como testemunha de um Jesus de Nazaré histórico.

Não há nenhuma evidência acreditável indicando que Jesus tenha vivido. Este fato é, claro, inadequado para provar ele não viveu. Mesmo assim, embora seja logicamente impossível provar uma negação universal, é possível mostrar que para isso não há nenhuma necessidade de hipóteses de qualquer Jesus histórico. A biografia de Cristo pode ser considerada como obra puramente literária, astrológica e comparável a terrenos mitológicos. O princípio lógico conhecido como a Navalha de Occam nos diz que suposições básicas não devem sem multiplicadas além da necessidade. Para propósitos práticos, mostrar que um Jesus histórico é uma suposição desnecessária, é tão bom quanto provar que ele nunca existiu.

II. O Cristianismo Começou Como Uma Religião de Mistério.

Enquanto o Cristianismo moderno trombeteia sua mensagem abertamente e para todos, com pouca preocupação com os desinteressados em ouvir suas "boas notícias", não era assim no princípio. Uma leitura cuidadosa das epístolas Paulinas e dos evangelhos (suplementados pelas modernas descobertas de documentário) mostram que o Cristianismo começou como um culto de mistério, repleto de iniciações, segredos e níveis múltiplos de doutrinação.

A palavra mistério (em grego, 'o que é conhecido só por iniciados') ocorre vinte e sete vezes no Novo Testamento oficial e quase todas estas ocorrências demonstram a existência de uma infra-estrutura secreta no culto nascente.

E os discípulos vieram e lhe disseram, "Por que razão falas tu para eles por parábolas?" Ele respondendo lhes disse, "Porque a vós outros é dado saber os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é concedido." [Mateus 13:10-11]

Os versos oscilantes agora costumeiramente imprimidos ao término da Epístola para os romanos (mas colocados em outros lugares em vários manuscritos antigos) contam que "aquele segredo divino () foi mantido em silêncio muito tempo mas agora foi aberto..." [Nova Bíblia Inglesa]

Paulo o mistagogo é muito evidente em passagens como I Cor. 2:6ff:

Agora nós estamos falando uma sabedoria entre esses que são maduros [i.e., pronto a ser iniciado], quer dizer, uma sabedoria que não pertence a esta era, nem aos senhores desta era[7] que estão a ponto de desaparecer; mas falamos da sabedoria de D'us em mistério, sabedoria que foi encoberta, e que D'us predestinou antes das eras, para contribuir com nossa glória. Nenhum dos senhores desta era conheceu esta sabedoria... Mas assim como foi escrito, Coisas que nenhum olho viu e nenhum ouvido ouviu e que não ocorreram na mente humana, coisas que D'us preparou para aqueles que o amam - D'us de fato as revelou para nós através do Espírito...[8]

I Cor. 4:1 fala dos "guardiões dos mistérios de D'us."

Paulo, o futuro iniciador de novatos nos mistérios nos enrolou também desde o terceiro capítulo de I Coríntios. "Eu não posso falar a você como eu deveria falar às pessoas que têm o Espírito," ele conta a seus não-completamente iniciados. "Eu tive que lidar com você meramente no plano natural, como crianças em Cristo. E assim eu dei a vocês leite para beber em vez de comida sólida, para a qual vocês ainda não estão prontos. Realmente, você ainda não está pronto para isto, porque vocês ainda estão no plano meramente natural."[9] Os Coríntios de Paulo ainda estavam sendo alimentados com a história superficial; eles não estavam prontos para serem ditos os significados ocultos das coisas, talvez a verdade total relativa à natureza simbólica, e não física de "Cristo."

Que havia um evangelho secreto e uma iniciação realmente nos mistérios da religião agora conhecida como Cristianismo é dramaticamente atestado pelo "Evangelho Secreto de Marcos," encontrado em um manuscrito, descoberto por Morton Smith em 1958, no Monastério de Mar Saba, sudeste de Jerusalém. O texto grego achado por Smith parece originalmente ter sido composto ao término do segundo século por Clemente de Alexandria.[10] Clemente está respondendo a um Teodoro que estava aborrecido por reivindicações de que havia um evangelho secreto de Marcos que era diferente da versão (oficial) canônica. Clemente lhe conta que realmente há um evangelho secreto usado pela igreja de Alexandria para iniciação nos mistérios Cristãos. Ele dá vários exemplos da matéria presente no evangelho secreto mas ausente no canônico. Um dos "segredos" mais interessantes revelado por Clemente nos fala:

...Jesus rodou a pedra fora da porta da tumba. E imediatamente, entrando onde o jovem estava, ele estendeu sua mão adiante e o levantou segurando-o pela mão. Mas o jovem, olhando para ele, se encantou e começou a suplicar se poderia estar com ele. E saindo da tumba eles entraram na casa do jovem, porque ele era rico. E depois de seis dias Jesus lhe disse o que fazer e à noite o jovem vem a ele usando um pano de linho em cima de seu corpo nu. E permaneceu com ele aquela noite, para Jesus lhe ensinar os mistérios do reino de D'us.[11]

III. O Cristianismo Foi Derivado do Mitraismo e do Judaísmo. Entender a Origem de Mitraismo é Crucial para Entender a Origem do Cristianismo.

A religião de mistério para a qual o Cristianismo antigo parece se relacionar mais de perto é o Mitraismo. Mitra (também soletrado Mitras), uma invenção Greco-persa, nasceu de uma virgem no solstício de inverno - freqüentemente em 25 de dezembro no calendário Juliano. Sendo uma divindade solar, Mitra era adorado aos domingos [Sunday em inglês: Dia do sol.]; depois que Mitra ficou amalgamado com Hélios, ele foi descrito com um halo, nuvem, ou gloria ao redor de sua cabeça. Em alguns casos fica difícil distinguir se imagens antigas eram representações de Mitra ou Jesus. O líder do culto era chamado de Papa e ele governava de um "mithraeum" na Colina Vaticano em Roma. Uma característica iconográfica proeminente no Mitraismo era uma grande chave, necessária para destrancar os portões celestiais pelo qual se acreditava passar as almas dos defuntos. Parece que as "chaves do Reino" seguradas pelos Papas como sucessores de "São Pedro" deriva de Mitra, não de um messias palestino. Os padres Mitraicos vestiam miters, um adorno para a cabeça especial do qual o chapéu do bispo Cristão foi, derivado. (O nome latino para este chapéu Phrygian/Persian era mitra - que também era uma ortografia latina aceitável para Mithra!) Os Mitraistas consumiam uma comida sagrada (Myazda) que era completamente análoga ao serviço Eucarístico Católico (Missa). Como os cristãos, eles celebraram a morte reconciliada de um salvador que ressuscitou em um domingo. Em grande centro principal da filosofia Mitraica ficava em Tarso - Cidade natal de São Paulo - que agora é Sudeste da Turquia.

IV. O Mitraismo e o Cristianismo Têm Suas Origens na Astrologia e na Astronomia.

No ano 128 A.E.C. (antes da era comum ou cristã) o astrônomo grego Hiparco de Rhodes descobriu a precessão dos equinócios [veja a Figura 2]. Porque o eixo da terra é inclinado aproximadamente 23,5 graus da linha perpendicular ao plano de sua órbita ao redor do Sol, o Sol parece olhando-se do hemisfério norte seguir um caminho no céu (a eclíptica) o qual durante seis meses do ano está sobre o equador celestial e debaixo dele durante os outros seis meses. (O equador celestial marca os pontos na "esfera celestial" que estão diretamente em cima da cabeça de uma pessoa que está no equador da Terra.) Duas vezes por ano, quando o Sol parece se mover ao longo de seu caminho eclíptico, ele cruza o equador celestial. Quando o Sol está nestes pontos - os ditos equinócios vernal (primavera) e outonal - as durações de dia e noite são iguais.

Devido a Terra cambalear enquanto gira em torno de seu eixo, os pólos norte e sul de seu eixo não apontam sempre aos mesmos pontos na esfera celestial. Como conseqüência, os pontos equinociais tornam-se deslocados com respeito às chamadas estrelas fixas - inclusive as estrelas que formam as doze constelações do zodíaco. Quando Hiparco descobriu que o equinócio vernal tinha sido deslocado de Touro para Áries, ele ou alguns dos seus discípulos sentiu que eles tinham descoberto o trabalho de um deus desconhecido até aqui. (Muitos gregos sentiram que cada fenômeno natural ou força física eram de fato o trabalho de um deus particular). Por razões astrológicas, este novo deus foi identificado com o antigo deus Persa Mitra. A religião de mistério conhecida como Mitraismo nasceu assim.[12] Mitra foi instalado como um Senhor do Tempo ou cronocrata, o deus que regeria a Era de Áries.

Quando Hiparco e os seus colegas Estóicos entenderam que o equinócio vernal tinha passado de Touro para Áries, o equinócio estava quase fora de Áries também. Brevemente passaria para Peixes, e se precisaria de um novo Senhor do Tempo. Da mesma maneira que movimento do equinócio para fora de Touro tinha sido simbolizado com o sacrifício de um touro[13], assim também, o movimento fora de Áries viria a ser simbolizado pelo sacrifício de um cordeiro. O primeiro símbolo da religião da nova era, a religião a reinar na idade de Peixes, significativamente, seria o peixe[14] (A cruz, aparentemente, era originalmente da letra grega chi (c), o qual nos faz lembrar da interseção do equador celestial com a eclíptica em ângulo agudo.) Não é surpreendente que nos mais velhos epitáfios e inscrições de fato dois peixes foram usados para simbolizar o culto da Nova Era - fazendo o símbolo do Cristianismo idêntico ao símbolo astrológico para Peixes, em obediência ao fato que Pisces é plural: os peixes.

V. Os Magos Mencionados no Segundo Capítulo do Evangelho de Mateus Eram Sacerdotes - Astrólogos Mitraicos, Provavelmente Exploradores que Procuravam o Novo Senhor do Tempo que Iria Reger a "Nova Era" de Peixes.

O clero Mitraico se envolveu ativamente na astrologia do culto que era conhecido como Magi (magoi em grego), e são representados usando toucas Phrygian (pseudo - persa) como se supõe serem usadas por Mitra. É minha tese que alguns destes Magos, percebendo que a era de Mitra estava prestes a terminar (e que o equinócio passaria a Peixes alguma época durante o primeiro século da E.C.), teriam deixado os seus centros de culto em Phrygia e Cilicia, o que é agora Sudeste Oriental na Turquia, de cidades tais como Tarso para ir para Palestina para ver se podiam localizar não só o Rei dos Judeus, mas o novo Senhor do Tempo, o senhor da nova era de Peixes. (Considerava-se que Peixes tinha conexões especiais com os judeus.) é significante, eu acredito, que as antigas representações da visita dos Magos ao menino Jesus (incluindo um numa igreja em Belém) os mostravam usando toucas Phrygian (Mitraicas).

Enquanto fica claro que a estória da visitação dos Magos encontrada no começo do segundo capítulo do evangelho de Mateus é mais conto de fadas que história (como alguém segue uma estrela?), parece que há um núcleo de historicidade nisto. Porém, eu acredito que o texto grego foi mal entendido com respeito ao ponto de origem dos Magos e onde eles estavam quando eles viram a estrela que motivou sua viagem. A Versão do Rei Jaime nos conta que "os homens sábios do leste viram sua estrela no leste." As traduções modernas tendem a ter os homens sábios viram "sua estrela alçando." A palavra grega para ' leste' usada nestas duas passagens é , e realmente pode se referir ao leste ou para o alçamento de um corpo celeste. Mas também pode ser o nome de um lugar - Anatólia. Anatólia ou poderia significar a península inteira de Ásia Menor (a área chamada Turquia agora), ou uma província particular de Phrygia. Então parece que Mateus 2:1-2 deve de fato ler:

Agora quando Jesus nasceu em Belém da Judéia nos dias de Herodes o rei, observe, lá vem os Magos de Anatólia para Jerusalém,

Dizendo, Onde é que o Rei dos Judeus nasceu? Pois em Anatólia nós vimos sua estrela, e viemos adorá-lo.

Esta visita palestina dos Magos poderia ter sido o catalisador que ativou vários grupos judeus - e talvez alguns grupos não judeus - a pensar que o messias que eles tinham estado esperando já tinha vindo e não tinha sido notado. Para que isto não pareça muito forçado, deveria ser notado que até mesmo em nossa própria época sofisticada notícias da "segunda vinda" de Cristo são de ocorrência regular. Não é irracional supor que em algum lugar agora mesmo, exista algum pequeno culto que acredita que Jesus já voltou à terra.[15]

Está claro que as pessoas que escreveram o Novo Testamento acreditavam em reencarnação e "aparecimento de ressuscitados" de personagens como Elias. Isso tornaria bastante fácil que a visita de Magos convencesse as pessoas que o messias delas já tinha aparecido. Um exemplo particularmente ilustrativo encontra-se no evangelho de Mateus:[16]

Jesus... perguntou para os seus discípulos, dizendo: "Quem os homens dizem que é o Filho do Homem?"

E eles disseram, "Alguns dizem João Batista; alguns, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos Videntes."

Ele diz a eles: "Mas quem vocês dizem que eu sou?"

E Simão Pedro, respondendo, disse: "Tu és o Ungido, o Filho do D'us Vivente!"

E os seus discípulos lhe fizeram uma pergunta, dizendo: "Por que então as escrituras dizem 'Elias tem que vir primeiro?'"

Agora, Jesus respondeu dizendo a eles: "Elias realmente vem primeiro, e restabelecerá todas as coisas. Agora, eu digo a vocês, Elias já veio, e eles não o reconheceram, mas lhe fizeram tantos danos quanto puderam. Assim também o Filho de Homem é destinado a sofrer através deles."

Então seus discípulos entenderam que ele disse isto a eles sobre João Batista.

Casos semelhantes de "eventos" de significado cósmico que acontecem inadvertidamente são encontrados nos evangelhos de Tomás[17] e Lucas:

Ev. Tomás 51. Seus discípulos disseram a ele, "Quando ocorrerá o repouso dos mortos e quando o mundo novo virá?" Ele disse a eles, "O que você espera já veio, mas você não reconhece."

Ev. Tomás 52. Seus discípulos disseram a ele, "Vinte e quatro profetas falaram em Israel, e todos eles falaram de você." Ele disse a eles, "Você omitiu um vivo em sua presença, e falou só dos mortos."

Lucas 17:20-21. Sendo questionado pelos Fariseus quando virá o reino de D'us, ele lhes respondeu, "O reino de D'us não virá com sinais a serem observados; nem eles dirão, 'Hei-lo, aqui está!' ou 'Hei-lo acolá' veja, o reino de D'us está dentro de você."

VI. Os Judeus Estavam Prontos Para os Magos Quando Eles Vieram Visitar.

Os judeus durante os últimos dois séculos A.E.C. estavam esperando um messias, e estavam conferindo as passagens do Velho Testamento que imaginaram descrever quem, onde, por que, e como, seria a pessoa de seu messias. Os textos verdadeiros do Velho Testamento são tomados a miúdo completamente fora do contexto, distorcidos, e erroneamente citados, e havia pouco respeito aos tempos dos verbos. (Um exemplo particularmente notório da tal metodologia de escrituras distorcidas pode ser visto no evangelho de Mateus.)

As listas de itens a observar que diferentes grupos messiânicos tinham mantido tinham que ser reinterpretadas após a visita dos Magos: em vez de contar o que o messias faria, elas passaram a ser interpretadas como um registro do que ele tinha feito. As notícias que o messias já tinha chegado se espalhariam rapidamente. O fato que ninguém tinha notado a primeira vinda foi a razão do mito da segunda vinda ter sido inventada. Na verdade nada tinha sido realizado na primeira vinda - exceto no papel!

Um exemplo de tal lista de itens foi achada entre as Escrituras do Mar Morto. Escrituras que o estudioso Theodor Gaster nos fala:

...um grupo de cinco passagens Bíblicas que atestam o advento do Futuro Profeta, o Rei Ungido e a derrota final do ímpio. Os primeiros quatro foram tirados do Pentateuco (os cinco livros de Moisés), e incluem trechos dos oráculos de Balaam. O quinto é uma interpretação de um verso do Livro de Joshua. Uma interessante característica desse documento ... é que justamente as mesmas passagens do Pentateuco são usadas pelos Samaritanos como atestado para a vinda do Taheb, ou futuro 'Restaurador.' Eles evidentemente. constituíram um conjunto padronizado de tais citações, do tipo que os acadêmicos supuseram terem estado nas mãos dos escritores do Novo Testamento quando eles citaram passagens da Bíblia Hebraica supostamente confirmado por incidentes na vida e carreira de Jesus.[18]

VII. O Gnosticismo Ajudou a Reinterpretar as Listas de Itens e Outras Criações Literárias Pré-Cristãs, Como Documentos Que Pertencem À Vida do Não Notado Messias.

Antes que o dito Novo Testamento fosse completado, os líderes da Igreja Cristã primitiva tiveram que lutar contra uma "heresia" chamada gnosticismo. Os gnósticos são pessoas que acreditam em gnosis, um tipo de conhecimento introspectivo. De acordo com Kurt Rudolph, uma das principais autoridades em Gnosticismo, gnosis é "conhecimento dado por revelação, que só está disponível ao eleito que é capaz de recebe-la, e então tem caráter esotérico."[19] É agora conhecido como gnosticismo e é mais velho que o Cristianismo, e uma teoria pode ser proposta dizendo que o Cristianismo é uma heresia Gnóstica, ao invés do outro modo tradicionalmente ensinado.

Por "revelação" Gnósticos e outros não só poderiam decidir que estas listas de itens deveriam ser reinterpretadas, mas até mesmo que aqueles materiais completamente sem conexão ao Cristianismo estavam realmente cheios com conhecimentos ocultos de significado Cristão. Isso é de extrema importância do ponto de vista psiquiátrico, porque permitiu aos autores das biografias messiânicas se sentirem inocentes de fraude, apesar do fato que havia pouco, se é que havia, de verdade nos seus produtos. Tudo aquilo que era preciso para alguma pessoa, talvez alguém que tinha jejuado muito tempo, para ter um sentimento forte - possivelmente o resultado de um sonho, auto-sugestão, ou até mesmo alucinação - que conhecimentos estavam sendo comunicados a ele de outro mundo. Depois disso, até mesmo uma lista de ferramentas de jardinagem poderia ser convertida em um documento religioso de grande profundidade.

A biblioteca Gnóstica descoberta em Nag Hammadi no Egito provê alguns exemplos de como materiais não-Cristãos poderiam ter sido destinados para propósitos Cristãos. O denominado "Apocalipse de Adão," uma fantasia não-cristã composta de elementos Judeus, segue o mesmo esboço geral e contém muitos dos mesmos componentes como a narrativa do nascimento encontrada no décimo segundo capítulo do Livro das Revelações no Novo Testamento. Está claro que ambas as Estórias são derivadas de uma fonte mitológica comum - uma fonte que os princípios gnósticos permitiram ser adaptados para uso Cristão por "São João o Revelador."

A "arma fumegante" da 'revelação em ação' também foi achada em Nag Hammadi, e é muito instrutiva para qualquer um que deseje entender como materiais não-Cristãos puderam ter sido transmutados nos documentos encontrados agora no Novo Testamento. James M. Robinson, o editor dos materiais de Nag Hammadi publicados em inglês, nos fala que

A biblioteca de Nag Hammadi apresenta até mesmo um exemplo do processo de Cristianização que acontece ante os olhos da pessoa. O tratado filosófico não-cristão de Eugnostos o Abençoado está cortado arbitrariamente em falas separadas nas quais são postas então na boca de Jesus, em resposta às perguntas (que às vezes não se encaixam totalmente nas respostas) que os discípulos dirigem a ele durante um aparecimento de ressurreição. O resultado é um tratado separado intitulado A Sofia de Jesus Cristo. Ambas as formas do texto ocorrem lado a lado no Códice III.[20]

VIII. Jesus Teve Que Conseguir Seus Nomes Antes Que Pudesse Obter Suas Vidas.

Antes pudesse ser dada a Jesus uma biografia, ele teve que receber um nome. De fato, ele recebeu vários nomes e, como nós veremos, todos os seus nomes eram realmente títulos. Assim, o nome Jesus de Nazaré originalmente não era um nome, mas ao invés era um título que significa (O) Salvador, (O) Ramo. Em Hebraico estes teriam sido Yeshua' Netser. A palavra Yeshua' significa 'salvador' e Netser significa 'broto,' 'ramo,' ou 'galho' - uma referência a Isaias 11:1, o qual pensava-se predizer um messias (lit., 'o ungido') da descendência de Jesse (o pai do Rei Davi): "E sairá uma vara do tronco de Jesse, e um Ramo crescerá fora de suas raízes..."

Enquanto esta referência para um ramo de Jesse parecerá indubitavelmente obscura aos leitores modernos, não teria sido obscura aos antigos Judeus tais como aqueles que compuseram os Manuscritos do Mar Morto (e escreveram um comentário em Isaias 11:1); nem teria estado obscuro para os antigos Cristãos. De acordo com o pai da igreja Epifânio, que nasceu em Chipre em 367 E.C. e escreveu um tratado contra os "hereges," os Cristãos eram chamados de Jesseanos originalmente, justamente por causa dos laços messiânicos com Jesse[21]

Embora para quem fala Hebraico e seu idioma primo próximo o Aramaico o sentido e o significado profético do título O Salvador, O Ramo ficaria claro, depois de mudado para o grego lesous Nazoraios ou Iesous Nazarenos, seu significado como título deve logo ser esquecido. A parte Iesous era um nome simples (Jesus em latim) do tipo José, João ou Manoel. A parte Nazoraios, porém, foi mal entendida como sendo derivada do nome de um lugar - a aldeia imaginária de Nazaré - como a palavra Parisiense pode ser derivada de Paris.

E assim, Yeshua' Netser veio ser o Jesus de Nazaré - um nome do tipo Carlos o grego, um nome que pensava-se conter informação do lugar de origem da pessoa. (Pode ter havido um período intermediário tipo Mágico de Oz, combinando um título com um nome de lugar: O Salvador de Nazaré.)

Na virada da era, não havia nenhum lugar chamado Nazaré, e não é completamente certo que o lugar agora chamado por esse nome era habitado durante o período em questão. O nome não aparece nem no Velho Testamento nem na grande literatura "intertestamental." Nem é encontrado em Joséfo, apesar do fato que ele nomeia várias dúzias de cidades na Galiléia - lugar onde ele administrou manobras militares. Até onde posso dizer, o lugar que se chama presentemente Nazaré recebeu este nome de um Jesseano imaginativo algum tempo depois do segundo século ou inicio do terceiro século - provavelmente depois que Adriano expulsou os Judeus de Jerusalém em 135 E.C. Na virada da era, porém, Nazaré era tão mítico quanto a Maria, José e a família de Jesus que se supõe ter vivido lá.[21b]

É interessante notar que as mais antigas escavações arqueológicas das igrejas Judeu cristãs mais velhas naquela cidade revelaram ramos como um motivo decorativo proeminente (sombras de netser!) e também zodíaco. - alguns até cercam o símbolo de chi-rho[22] de Cristo, exatamente como foram achados zodíacos em torno das imagens de Mitra. Mais adiante, as ruínas dos baptistries apoiam evidências que ritos de iniciação no antigo Cristianismo eram tão interessantes quanto aqueles do Mormonismo antes do recente expurgo.

Como Jesus de Nazaré, o "nome" Jesus Cristo também começou como dois títulos. Como nós vimos, a parte Jesus do nome realmente é o título Salvador. Mas o que dizer de Cristo? A palavra grega christos significa 'ungido,' e é o equivalente da palavra em Hebraico meshiah. Assim, Cristo e Messias são termos equivalentes, ambos se referem a prática peculiar Israelita de ungir seus reis e os altos sacerdotes com óleo. (Os gregos ao invés ungiam seus atletas.)

IX. Jesus Obteve Suas Vidas de Outros Povos e Outras Literaturas.

Há pelo menos cinco Jesuses diferentes descritos no Novo Testamento: aquele que o Apóstolo Paulo "encontrou" durante um ataque epiléptico na estrada para Damasco, e os quatro messias palpavelmente diferentes descritos nas crônicas dos evangelhos canônicos. As dimensões biográficas do messias de Paulo são tão escassas que há pouca necessidade de se falar sobre ele. Mas o que dizer das histórias contadas pelos quatro evangelistas?

Muito do material biográfico encontrado no Novo Testamento é somente uma reprodução de material tirado do Velho Testamento grego, o Septuaginto. Uma parte considerável da estrutura narrativa do evangelho de Mateus (e também de Marcos, a sua fonte) pode ser vista como uma incorporação e adaptação da lista de itens messiânica tal como minha hipótese teria formado o núcleo para uma biografia messiânica. Inúmeras vezes, eventos e circunstâncias, triviais e importantes são recontadas por Mateus e seguido pelo refrão "...que poderia ser cumprido o que foi dito pelos profetas." Embora este refrão não apareça na narrativa de Marcos, parece claro que o esqueleto de história usado por Marcos foi construído de uma lista de aferição das "profecias" do Velho Testamento que teriam que ser cumpridas pelo messias.

As várias "declarações de Jesus" (logia) recontadas nos evangelhos poderiam, se fossem derivadas convincentemente de uma única personalidade ou fonte, ser forte evidência que um Jesus histórico existiu uma vez. Mas tal não é o caso. Um grupo de proeminentes estudiosos da Bíblia, intitulando-se "O Seminário de Jesus" e patrocinados pelo Instituto Westar em Sonoma, Califórnia, recentemente completou sua análise de seis anos de toda a logia e informou que pelo menos oitenta por cento das declarações não eram autênticas! Quer dizer, eles puderam achar explicações para sua composição que não requeriam um Jesus histórico.[23] E quanto aos outros vinte por cento? Tudo que podemos dizer é que suas verdadeiras origens são desconhecidas. Não foi provado que vieram de um homem que se chamou Jesus.

Localizar todos os elementos das biografias de Jesus e as suas fontes requer um livro muito grande. Aqui nós podemos dar só alguns exemplos de como algum material foi incorporado na trança da literatura que veio a ser conhecida como "A Vida de Cristo."

Os milagres curativos provavelmente derivam dos testemunhos dados por pessoas que pensaram ter sido curadas pelo deus grego Asklepios (Asclepius em latim). O grande veneno com o qual os antigos pais da igreja atacaram o culto deste deus pagão indica uma rivalidade próxima entre os dois cultos e um certo embaraço entre os Cristãos quando lhes era dito repetidamente que Asklepios já tinha feito todos os truques de Jesus e os tinha feito melhor.

Inicialmente no desenvolvimento das biografias, "Jesus" foi identificado com o personagem "Filho do Homem," figura de suma importância no livros recentes do Velho Testamento e nas escritas apócrifas, como o Livro de Daniel e o Livro de Enoch. Isto permitiu amplo crescimento de material literário. É interessante notar que a literatura do Filho do Homem sofreu evolução considerável desde seu começo até de sua amalgamação com o personagem de Cristo. Originalmente, em Hebraico e Aramaico, a frase Filho do Homem significava um ser humano simplesmente - não alguma outra espécie de animal. Depois, veio simbolizar a nação Israel. Muita literatura profética que se refere ao Filho de Homem está realmente se referindo à nação Israel. (Israel era, afinal de contas, uma nação de seres humanos; o goyim ou 'nações' - gentios - não eram considerados completamente humanos.) Então, o termo foi individualizado uma vez mais e identificado como o messias esperado. Finalmente, foi enxertado - com toda sua literatura acumulada e associações - como a vita de Jesus.

Algumas partes da biografia de Jesus foram derivadas do gnosticismo pré-cristão, e um pouco do material foi incorporado da literatura da sabedoria heleno-judia. Alguns itens, como a doutrina dos logos ("a Palavra") veio dos filósofos Estóicos. O dito "Dar é mais abençoado que receber" [Atos 20:35] é na verdade um provérbio antigo grego[24] O ditado em Mateus. 11:17, "Nós tocamos para você e você não dançou," deriva de uma das fábulas de Aesop![25] O dito que "onde quer que esteja a carcaça, lá as águias estarão reunidas" [Mat. 24:28 = Lucas 17:37] é atestado por vários antecedentes gregos (Lucian[26], Aelianus[27]) e latinos (Seneca[28], Marcia[29], e Lucan[30]).[31]

Como ilustração final de como era fácil pôr palavras na boca de Jesus, podemos considerar uma passagem na primeira carta de Saulo/Paulo para os Coríntios. No nono verso do segundo capítulo, ele cita uma escritura até então "não identificada":

"Mas assim como está escrito, Que o olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais entrou no coração do homem, as coisas que D'us tem preparado para aqueles que o amam."

No evangelho de Tomás (na verdade uma coleção de citações ou logia, se assemelhando ao documento-Q do qual Mateus e Lucas tiraram as supostas declarações de Jesus), isto foi refeito como logion número 17 e atribuído ao próprio Jesus:

"Eu lhe darei o que nenhum olho viu e o que nenhum ouvido ouviu, e o que nenhuma mão tocou, e que nunca ocorreu à mente humana."[32]

A mesma declaração foi adaptada pelo autor do documento-Q e foi inserida no Novo Testamento oficial como Mateus 13:16-7 e Lucas 10:23-4:

"Abençoados são os olhos que vêem o que você vê e os ouvidos que ouvem o que você ouve ... muitos profetas e homens íntegros desejaram ver o que você vê e não viram, ouvir o que você ouve e não ouviram." [Material em itálico só encontrado na versão de Mateus][33]

Ainda falta percorrer o Novo Testamento inteiro para extrair todo o material que supostamente contêm informações da vida de Cristo e rastreá-los até suas fontes. Também falta solucionar quais dos personagens naquele livro são históricos e os que são imaginários. Por exemplo, os doze discípulos parecem ser figuras zodiacais, mas João Batista pode ter sido real. São Paulo quase certamente era real, mas São Pedro provavelmente não era. A Virgem Maria e José foram inventados para seus papéis, mas Poncio Pilatos não.

Muito trabalho permanece a ser feito para desmascarar os cronistas de Cristo e pô-los fora do negócio, embora uma quantidade surpreendente deste trabalho já está pronta a um século atrás ou mais, mas agora está perdido ou difícil de recobrar. Este fato incitou os escritores populares Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln a comentarem:

Cada contribuição no campo de pesquisa bíblica é como uma pegada na areia. Cada uma é coberta quase imediatamente, tanto quanto o público geral está atento, e deixada virtualmente sem rastro. Cada uma deve constantemente ser refeita novamente, só para ser coberta novamente.[34]

Agora é hora do vazio que é Cristo, não para as pegadas dos estudiosos, ser coberto com areia. Já passou o tempo que seres míticos deveriam ser levados seriamente. A hora chegou para os estudiosos bíblicos se levantarem na mesma fundação sólida na qual o Marquês de Laplace estava quando questionado pelo Imperador da França. Quando questionados sobre o Jesus histórico, todos devem ou podem responder: "Eu não tive nenhuma necessidade dessa hipótese."

*Artigo de Frank R. Zindler
Escrito em Março de 1992, revisado em outubro de 1999.

Notas
1 - Isto está em Atos 22:7ff que alegam ser a primeira pessoa que conta a conversão de Saul: " Então eu ouvi uma voz que dizendo para mim, ' Saul, Saul, por que você me persegue? ' eu respondi, ' me Fala, Senhor quem é você. ' ' eu sou o Jesus de Nazaré, ' ele disse, ' quem você está perseguindo. ' Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que falava para mim " [Nova Bíblia Inglesa]

Uma contraditória, terceira pessoa que conta a conversão de Saul pode ser encontrada em Atos 9: 4ff: " Ele caiu ao solo e ouviu uma voz dizendo, ' Saul, Saul, por que você me persegue? ' " Diga-me, Senhor, disse quem é você, ' quem é você?. ' A voz respondeu, ' Eu sou Jesus quem você está perseguindo. Enquanto isso os homens que estavam viajando com ele ficaram em pé mudos; eles tinham ouvido a voz mas não podiam ver ninguém." [Nova Bíblia Inglesa]

Pareceria que a versão no Capítulo 9 foi tirada de um documento mais velho que aquele do qual o conto do Capítulo que 22 foi derivado. A tradição de Nazaré não havia sido inventada quando a história do Capitulo 9 foi escrita.

2 - Um exemplo da ignorância de Marcos da geografia palestina é encontrada na história que ele reconta sobre Jesus viajando de Tyre no Mediterrâneo ao Mar da Galiléia, trinta milhas no interior. De acordo com Marcos 7:31, Jesus e sua gang foram pelo caminho de Sidon, vinte milhas ao norte, de Tyre na costa do mediterrâneo! Então de Sidon regressaria quarenta milhas, isto significa que o messias de Marcos caminhou setenta milhas quando poderia ter caminhado só trinta. Embora Marcos parece desavisado deste problema, os tradutores da versão do Rei Jaime parecem ter entendido bastante bem isto - ofuscando inteligentemente sua tradução adequadamente: " Partindo da costa de Tyre e Sidon"

3 - Marcos 10:12 nos fala que uma esposa, se ela se divorcia o marido dela e se casa com outro, é culpada de adultério. Enquanto isto era possível em algumas sociedades pagãs, não era uma opção aberta a mulheres Israelitas.

4 - Josefos Ben Matias (ca. C.E. 37 - ca. 100), o Historiador judeu e geral.

5 - Cornelio Tacito (ca. C.E. 56 - ca. 120), orador romano, historiador, e político.

6 - Gaio Suetonio Tranquilo (ca. C.E. 69 - ca. 122), romano biógrafo e historiador.

7 - É difícil de não ver isto como uma referência para o fim do ano de 2150 da Idade astrológica de Áries no qual Mitra reinou como 'o Senhor do Tempo' ou chronocrat. Paulo estava escrevendo quase exatamente na ocasião que a era de Peixes estava começando, com Jesus como o novo Senhor do Tempo. Em grego ' governadores desta era é archanton tou aionos toutou. Isto reverbera razoavelmente com ambos, o astrológico e os Mistérios de gnóstico. No agnosticismo, os archons são claramente regras de derivação astrológica, e os æons são regras e períodos de tempo. Também é sugestivo, que os pais da igreja de Origem, fazendo um comentário sobre esta passagem em coríntios alude a " a astrologia dos Caldeus e Indianos " e " Magos " - astrólogos Mitraicos ou Zoroastrianos [Origen De Principiis, The Ante-Nicene Fathers, Vol. IV, editado por Alexander Roberts e James Donaldson, Wm. B. Eerdmans Publishing Co, Grand Rapids, MI, 1982, pp,. 335-6.]

8 - William F. Orr, e James Arthur Walther, The Anchor Bible,: I Coríntios, Doubleday & Cia., Inc.,Garden City, NY, 1976, pp. 153-4.

9 - I Cor. 3:1-3, New English Bible.

10 - Titus Flavius Clemens (ca. C.E. 150 - ca. 211), Prominent early church father.

11 - Morton Smith, Clemente de Alexandria e o Evangelho Secreto de Marcos, Harvard Universidade Imprensa, Cambridge, Massachusetts, 1973, pág. 447.

12 - Por este entender moderno da recente e astrológica origem da religião Mitraica, eu sou fortemente dependente na redação de David Ulansey, especialmente no seu pequeno livro As Origens dos Mistérios Mitraicos: Cosmology and Salvation in the Ancient World, Oxford University Press, New York & Oxford 1989.

13 - Um olhar a Figura 2 mostrará que a constelação que Perseus é localizado sobre a constelação o Touro. Mitologicamente, Perseu se tornou amalgamado com Mitra, e a ascendência física de Perseus em cima de Touro sugeriu que Mitra-Perseu tivesse matado o touro.

14 - Muito cedo na história do Cristianismo, o símbolo de peixe recebeu uma interpretação não astrológica por meio de um inteligente acrostico. A palavra grega para peixe, ICHTHUS, pode ser formado da primeira letra de cada palavra no Iesous Christos Theou Uios Soter - ' Jesus Christ, o Filho de D'us, Salvador.'

15 - 6 de agosto de 1991, o tablóide de supermercado o National Examiner mostrada uma manchete de primeira página: " O Vaticano Informa. Jesus Cristo à terra ". O próprio artigo, na página nove, informou isso " Aturdidos os cientistas e os líderes religiosos acreditam que o Jesus Cristo retornou à Terra "! Havia um pouco de incerteza, porém, se a segunda vinda tivesse acontecido de uma maneira bíblica ou se Cristo tinha sido clonado cientificamente das manchas de sangue na Mortalha de Turin. Considerando o número grandes de pessoas que leram este papel, todos, exceto algumas pessoas, acreditaram em seus contos extraordinários.

16 - Matt. 16:13-16; 17:10-13. minha tradução.

17 - Helmut Koester, Ancient Christian Gospels: Their History and Development, Trinity Press International, Philadelphia, 1990, pp. 124-5.

18 - Theodor H. Gaster, The Dead Sea Scriptures, Third Revised and Enlarged Edition, Anchor Books/Doubleday, Garden City, New York, 1976, p. 393.

19 - Kurt Rudolph, Gnosis,: The Nature and History of Gnosticism, Harper & Row, San Francisco, 1985, p. 55.

20 - James M. Robinson, The Nag Hammadi Library, Third, Completely Revised Edition, Harper, San Francisco, 1988, pp. 8-9.

21 - J. -P. Migne, Patrologiae Cursus Completus, etc., Series Graeca Prior, Patrologiae Graecae Tomus XLI, S. Epiphanius Constantiensis em Cypro Episcopus, Adversus Haereses, Paris, 1863, columns 389-390,.

21B - Apesar das escavações de Franciscan B. Bagatti [Escavações em Nazareth, traduzidas por F. Hoade, Franciscan Printing Press, Jerusalém, 1969] nenhum resto de qualquer edifício datado dos primeiros séculos A.E.C ou EC foram encontrados no local da atual Nazaré, e os artefatos datados por Bagatti ao " o Período Romano" são provavelmente todos mais recentes que o primeiro século EC. Além disso, a maioria se não todos os artefatos parecem ser mercadorias funerárias usadas em enterros de residentes de Japha (Japhia), uma cidade a uma milha aproximadamente fora do local que foi conhecido por Josefos. A primeira inscrição mencionando o nome do lugar Nazaré pensa-se estar em um fragmento de mármore acha no local da antiga Caesarea em 1962. ["Uma Lista de Cursos Sacerdotais de Caesarea," M. Avi-Yonah, Jornal da Exploração de Israel, 12:137-9] A sinagoga na qual o fragmento de mármore foi achado parece datar do fim do terceiro ou começo do quarto século EC [The Archeology of the New Testament, Jack Finegan, Princeton Univ. Press, 1992, pág. 46], isto coloca a inscrição como uma testemunha para qualquer lugar chamado Nazaré no primeiro século.

Porém, é duvidoso que a inscrição realmente mencione Nazaré. Os vários fragmentos relacionados da inscrição eram interpretados por meio de poemas litúrgicos hebreus que datam do sexto para o sétimo século - quando Nazaré atual já era um local turístico prosperando e o nome já era famoso. As letras n-ts-r-t são formadas por pedras extremidades com quebradas (de fato, o n está só parcialmente presente), e não é certo qual letra pode ter precedido o n. Em minha opinião, o n danificado foi precedido provavelmente por um g (uma letra estreita em Hebraico, ajustando-se facilmente no espaço da hipótese dos descobridores da inscrição) e lia Gennesaret, não Nazaré. Gennesaret foi fundada em tempos helenísticos e era bem conhecida.

22 - A letra chi (X) e rho (R) são as duas as primeiras letras em grego da palavra Christos, e foram sobrepostas uma a outro para formar um tipo de cruz, um símbolo ainda proeminentemente empregado pela Igreja Católica Romano

23 - As regras de evidência empregadas por este time de estudiosos, junto com as suas razões por aceitar ou rejeitar um logion particular pode ser achada no O Evangelho de Marcos Edição em Letras Vermelhas, por Robert W. Funk e Mahlon H. Smith, Polebridge Press, Sonoma, Califórnia, 1991,.

24 - Koester, Antigos Evangelhos Cristãos, pág. 63.

25 - Arnold Ehrhardt, The Framework of the New Testament Stories, Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts, 1964, p. 51-3.

26 Lucian (ca. C.E. 120 - 180), Satirista e Retórico Grego.

27 - Claudius Aelianus (ca. E.C. 170 - ca. 235), Retórico Romano.

28 - Lucius Annaeus Seneca (ca. 4 B.C.E. 1 - ca. 65), o estadista romano e filósofo.

29 - Marcus Valerius Martialis (ca. E.C 40 - ca. 103), o Poeta romano.

30 - Marcus Annaeus Lucanus (E.C. 39-65), o Poeta romano.

31 - Ehrhardt, Framework, pág. 53-8

32 - Koester, Antigos Evangelhos Cristãos, pág. 58.

33 - Koester, Antigos Evangelhos Cristãos, pág. 59.
34 - Michael Baigent, Richard Leigh, e Henry Lincoln., The Messianic Legacy, Henry Holt, Nova Iorque, 1986, pág. 9. [Manuscrito recebido 19 de novembro de 1991.